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Empresas de tecnologia na bolsa: entenda como se destacar

Empresas de tecnologia na bolsa: entenda como se destacar

O setor de tecnologia no Brasil - o que há de realmente novo?

O setor de tecnologia no Brasil está experimentando um pouco do boom de valorização e expectativa percebido nos indicadores do mercado de capitais estadunidense, especialmente na NASDAQ.

O setor foi catapultado a patamares recordes durante a pandemia justamente pela capacidade de rápida adaptação ao momento vivenciado e à desenvoltura na criação e manutenção de novos hábitos de consumo.

Essas empresas brasileiras que desenvolvem e entregam produtos e serviços associados à tecnologia, inovação, novos modelos de negócios ou de fazer negócios estão voltadas tanto para consumidor final B2C quanto outras corporações B2B.

Computadores, smartphones, serviços de gestão documental, certificação eletrônica dentre outros estão ligados às empresas de tecnologia na bolsa.

Motivos para sua empresa de tecnologia estar na bolsa

Há quem diga que o objetivo das grandes empresas é realizar a abertura de seu capital. O momento de consagração seria a aceitação dos investidores em adquirir fatias do capital social da empresa demonstrando a maturidade e confiança do público no presente e no futuro da empresa.

A abertura de capital, oferta pública inicial de ações (IPO em inglês), gera captação de recursos da poupança privada (investidores) para o negócio. O investimento desse capital captado será definido no prospecto inicial que é divulgado ao mercado e documenta os passos da empresa até ali e o que projeta para seu futuro, inclusive após a injeção de capital promovida pela abertura de seu capital na bolsa de valores.

Além da visibilidade e a celebração pelo atingimento desse nível de grandeza, a abertura de capital gera outros benefícios.

A manutenção do capital negociado em bolsa exige uma estrutura de governança maior e complexa. Isso não significa, ao contrário do que poderia parecer, uma burocracia extra somada a tantas outras inevitáveis. A robustez da governança corporativa cria mais confiança dos stakeholders (investidores, empregados, sociedade, autoridades regulatórias, dentre outros) na empresa proporcionando acesso a novas oportunidades de negócios.

O capital recebido com a abertura é uma fonte de financiamento de expansão possivelmente mais barata do que a tomada de capital no mercado de crédito e com uma vantagem essencial: os investidores que adquirem as ações estão participando do risco do negócio e não simplesmente aguardando para receberem juros sobre o capital emprestado.

Essa participação no risco potencialmente significa duas coisas: o investidor confia na valorização das ações e no retorno sobre o capital investido na forma de proventos. Ambos caminham juntos ou separados. Há quem somente pretenda ganhar com a valorização das ações, outros que pretendem ganhar com proventos pagos à conta de lucros e resultados e há quem queira os dois associados.

Empresas de tecnologia na bolsa brasileira


Quais as principais

Totvs (TOTS3)

A Totvs (Totvs S.A) é uma empresa brasileira de criação e comercialização de softwares e é negociada na B3 com o código TOTS3.

Sinqia (SQIA3)

A Sinqia é uma das empresas de tecnologia mais antigas listadas na B3 com o código SQIA3.

Positivo (POSI3)

A Positivo Tecnologia (Positivo Tecnologia S.A) é uma empresa brasileira de tecnologia e negociada na Bolsa de Valores com o código POSI3.

Locaweb (LWSA3)

A Localweb é uma empresa de tecnologia especializada em hospedagem de sites e está listada na B3 com o código LWSA3.

Linx (LINX3)

A Linx é uma plataforma de software para o varejo e foi adquirida em 2021 pela Stone após uma disputa pública entre gigantes. A Linx tem suas ações negociadas com o código LINX3.

Intelbras (INTB3)

A Intelbras, empresa fabricante de produtos e soluções em segurança, redes e telecomunicação, realizou seu IPO em fevereiro de 2021.

Méliuz (CASH3)

A Méliuz é uma startup que oferece uma plataforma de cupons de desconto. As suas ações são negociadas com o código CASH3.

Google (GOGL34)

As ações do Google são negociadas na Bolsa através de BDR (Brazilian Depositary Receipt) que são títulos representativos de ações emitidas em outros países, mas que são negociadas no Brasil.

 Amazon (AMZO34)

A Amazon, assim como a Google, possui papéis na Bolsa de Valores do Brasil e pode ser negociada pelos investidores com código AMZO34.

Preparos para entrar na bolsa

A cerimônia de abertura de capital, com o clássico martelo sendo batido na abertura do pregão na B3, é a última etapa de um longo e custoso processo de abertura que envolve todo o negócio com uma mudança massiva na cultura organizacional.

A governança é estruturalmente alterada para prestigiar decisões estratégicas em colegiado e a depender da listagem na B3, exigirá a presença de número considerável de conselheiros independentes.

Isso significa renunciar a decisões tomadas isoladamente, solitárias. A cúpula administrativa passa a ser regida por regras postas antecipadamente e conhecidas pelo mercado.

As atitudes e movimentos da empresa são monitorados de perto pelo mercado aqui entendido como investidores, analistas, reguladores, entidades que reúnem classes atuantes nesse segmento e a própria bolsa que é uma entidade privada que exerce grande atividade regulatória na sua atuação.

A transparência é exigida em níveis difíceis de imaginar em empresas menores. Além da divulgação obrigatória de informações financeiras – os resultados trimestrais – a cada negócio realizado de impacto ou eventos que transbordem o cotidiano a companhia aberta é obrigada a dar publicidade em fato relevante ou comunicado ao mercado.

Essa forma de agir é disciplinada pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM e pela própria B3. Alguns segmentos de governança, optativos é verdade, exigem estruturas jurídicas de proteção a minoritários e cláusulas obrigatórias no estatuto social que é a constituição da empresa.

A empresa, a fim de realizar a abertura de capital -IPO, precisa adotar padrões contábeis internacionais- IFRS de dois a três anos antes da efetiva abertura. Esse é o grau de transparência exigido para reunir condições mínimas para uma abertura bem sucedida de capital.

Mudança cultural

O surgimento de novas responsabilidades e rotinas exige a preparação de todos envolvidos para adoção dessa nova mentalidade: a mentalidade de companhia aberta.

Normalmente as empresas buscam profissionais especializados para auxiliar nesse processo. A própria B3 disponibiliza cursos e palestras de mudança cultural para a transição de empresa de capital fechado para uma companhia aberta.

A existência de uma pessoa encarregada da relação com investidores representa essa mudança de paradigma. Uma pessoa, e não raro, um departamento inteiro, passa a ficar dedicado à relação da companhia com investidores. Esse canal direto entre os acionistas e interessados e alguém responsável por prestar informações é uma exigência normativa e ilustra a estreita relação entre a companhia e seus investidores.

Nesse sentido, é importante ressaltar que a bolsa recebe grande fluxo de investidores estrangeiros, por isso trabalhar em diversas línguas não pode ser um impeditivo.

Em busca do melhor momento

Quem acompanha o mercado financeiro sabe que notícias influenciam o humor dos investidores e o sobe e desce do valor das ações é corriqueiro. Contudo, para empresas que querem ingressar no mercado, abrir o capital, é importante avaliar o momento de ingresso.

A partir da decisão pela abertura e da preparação para a conformidade com as regras do mercado, a empresa contrata intermediários para buscarem interessados institucionais na aquisição das ações. Não raro os diretores das empresas circulam para explicar a tese de investimentos e o futuro projetado para a empresa (road show). Isso tudo no sentido de perceber a receptividade dos possíveis investidores ao negócio.

Em momentos de tensão dos mercados ou crises econômicas ou políticas a receptividade não costuma acompanhar os anseios da empresa e provavelmente seja melhor aguardar a melhoria do cenário.

O registro inclui o preenchimento do Formulário de Referência, um documento extenso que retrata todos os aspectos do negócio, incluindo riscos e como a administração os classifica. Esse documento facilmente passa de mil páginas.

Como ter uma empresa de tecnologia com destaque na bolsa

O destaque da empresa de tecnologia na bolsa é por uma associação de fatores. Possível arriscar que o primeiro deles seja a perspectiva de crescimento do negócio. As empresas de tecnologia são reconhecidas consumidoras de caixa porque reinvestem o capital no crescimento. O traço distintivo das empresas de tecnologia é a possibilidade de crescimento exponencial.

Por isso, o negócio é fundamental e as pessoas envolvidas na construção desse negócio possuem igual relevância. Propósitos disruptivos possuem maior aptidão para destaque e os demais resultados vêm a reboque.

Evidente que tudo isso está sempre acompanhado a gestão transparente, idônea e conectada com o mercado.

Cuidados legais para  empresas de tecnologia na bolsa

Primeiramente a empresa de tecnologia precisa contar com vários profissionais e empresas especializadas  para ingressar na bolsa.

Como visto, são profissionais de relação com investidores, contadores, advogados, bancos, assessores, escrituradores e auditoria externa.

A governança corporativa precisa estar estrutura antes da abertura e deve se manter em rígido compliance. Comitês especializados são criados para garantir a integridade de temas sensíveis nas companhias.

A gestão societária passa à ordem do dia. A regulação do mercado de capitais, impõe, por exemplo, que um acionista que passe a deter mais de 5% do capital de uma empresa é obrigado a divulgar que excedeu esse limite. Essa obrigação é simplesmente para fins de transparência. A companhia precisa, portanto, manter a vigilância sobre essas questões para poder informar o mercado quando esses eventos acontecem.

Movimentações atípicas com as ações da empresa também precisam ser monitoradas e fiscalizadas pela própria empresa. Nesse sentido, o pessoal chave da administração e todos aqueles que, em razão do desempenho de suas funções, possuam informações estratégicas da companhia ficam impedidos de negociar as ações que eventualmente possuam em determinados momentos. Isso para evitar o uso de informações privilegiadas que é conhecido por insider trading.

Além disso, a companhia é obrigada a atualizar o formulário de referência ao menos uma vez por ano, além de convocar assembleias de acionistas para deliberações ordinárias e extraordinárias com ritos que precisam ser cumpridos por exigência legal.

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